A Maçonaria: treze Papas, duzentos e cinquenta anos de condenação
Desde a bula In Eminenti de Clemente XII (1738) até o decreto do Santo Ofício de 1983, a Igreja condenou a Maçonaria de forma consistente e repetida — treze Papas, por pelo menos treze razões distintas. Não é paranoia medieval: é uma posição doutrinalmente articulada, repetida ao longo de duzentos e cinquenta anos, contra uma organização que explicitamente constrói uma religião alternativa baseada na razão, na iniciação secreta e na pretensão de que todas as religiões são equivalentes.
1. O que a Maçonaria é e o que a Igreja condena
A Maçonaria é uma organização iniciática que admite membros de qualquer religião mediante a aceitação de um conjunto de princípios: a existência de um «Grande Arquiteto do Universo» (deísmo genérico), a fraternidade universal dos homens independente de crença específica, o segredo do ritual e a autonomia da razão individual. Membros com iniciação superior gradualmente tomam conhecimento de que o «Grande Arquiteto» é interpretado como a razão humana deificada — não o Deus pessoal e trinitário da revelação.
O que a Igreja condena não é a fraternidade entre homens ou a filantropia. É: (1) o indiferentismo religioso — a afirmação de que todas as religiões são caminhos equivalentes para a verdade, o que nega que Cristo é «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6); (2) o sigilo e o juramento — que impedem a obediência à lei divina e criam lealdades ocultas incompatíveis com a vida cristã; (3) a construção de uma ética natural autônoma desvinculada de Cristo e da revelação.
O cardeal Ratzinger, em 1983, esclareceu que a nota do Santo Ofício não revogou a condenação: «Os fiéis que pertencem a associações maçônicas se encontram em estado de pecado grave e não podem aceder à Sagrada Comunhão.» A razão não é política — é teológica: o indiferentismo religioso é incompatível com a fé católica.